Sabe aquelas pessoas que demonstram firmeza absoluta, quase onisciente, que parecem ter resposta a todas as perguntas e criam perguntas para suas próprias respostas, jamais erram mas possivelmente se enganem, tomam em pouca conta qualquer opinião diferente da sua e agem com tamanha soberba como se fossem o modelo de ser humano ideal?
Pois bem, eu gostaria de ver como seria um país inteiro formado apenas por réplicas de pessoas assim. Imagine-a como o cliente e também o atendente do caixa ao mesmo tempo, imagine-a pagando e dando a si mesma o troco do ônibus, como se auto-atendendo no telemarketing, solicitando os próprios dados para fazer seu cartão de crédito, cortando seu próprio cabelo, colocando sua própria gasolina e enchendo os pneus do carro, vendendo a si mesma seu próprio sapato, comendo e servindo sua comida. Imagine-a no país encantado chamado Ego. Ah, que coisa linda! Lá onde o 'eu' reina supremo. Onde todos são perfeitos aos próprios olhos. Eca!
Seria uma beleza, não seria? Não, não seria... Seria o caos, a estupidez elevada a sua enésima potência, o nojo próprio em seu mais elevado nível. No país dos narizes tortos, a grosseria reinaria suprema neste reino soberbo, tolo, frágil e infantil.
Graças sejam dadas a Deus pelas pessoas simples e humildes, sofredoras e simpáticas, pessoas fortes que sustentam o luxo e a insensibilidade dos adultos infantis, que fazem nosso dia mais leve, que são reais, que nos entendem, que respiram o mesmo ar do mesmo planeta e que também sangram. Graças sejam dadas a Deus pelas outras pessoas não serem como eu.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Seja "Macho"
Ser "macho" para o homem atual é:
- xingar pesado nos jogos do seu time do coração;
- beber e sair com várias mulheres "gostosas" pra se amostrar com os amigos e depois doar sangue pra saber se contraiu uma DST;
- -fumar sabendo dos riscos de câncer;
- praticar, assistir e falar sobre MMA;
- ter bíceps e peitoral grande pra andar com uma camisa colada (ou sem camisa);
- ter um carro esportivo pra se exibir pela cidade;
- ter um equipamento de som potente pra alguma coisa que eu ainda não entendi o motivo, se apenas um fone de ouvido resolveria.
Já ser "Macho" segundo Cristo é:
- ser gentil com quem te despreza;
- oferecer a outra bochecha pra quem te deu um murro;
- amar seus inimigos;
- se humilhar para beneficiar alguém que te prejudicou;
- se sacrificar pelas pessoas secretamente e sem desejar recompensas;
- dominar seus vícios e rejeitá-los em lugar de ser dominado por eles;
- falar bem de quem te difama e fofoca sobre sua vida;
Bom, acho que qualquer covarde pode ser um "macho" da atualidade. Mas só um homem de verdade, macho mesmo, encararia o desafio de ser "Macho" segundo Cristo.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
O Rosto
Era uma chuva tão grossa, que os pingos quase machucavam quando se chocavam contra minha pele. Caminhei até um espaço aberto, cercado de destroços, e foi lá que eu vi.
Vi um homem de costas, em pé e com ambos os pés sobre uma poça de lama. Uma luz muito forte irradiava no zênite. Ao seu redor, o mundo se desfazia gradativamente, como a água dissolve a lama presa na bota ou encrustada nos pneus de um carro. Ele contudo, não se movia. Nem ao menos piscava. Carros, prédios, parques, montanhas, ruas e casas, tudo estava a se dissolver.
Esse homem tinha os olhos fixos no alto, pupilas totalmente dilatadas e toda sua constituição física parecia voltada para a luz, como se se alimentasse dela de alguma forma. Ele ignorava todo o mundo destruído à sua volta.
Com o tempo, blocos gigantescos despencando de arranha-céus faziam grandes estrondos ao quebrarem-se no chão. Estilhaços eram arremessados para todas as direções. Havia muito pó, fumaça e destruição para todos os lados que se olhasse. Era sufocante. Mas ele estava lá, em pé, firme a tal ponto, que a princípio pensei que fosse uma estátua. Mas olhando bem, notei vida, muita vida pulsando de sua própria pele. Ar quente fluía dos seus pulmões. Podia-se ouvir seu coração de longe, e ele batia forte, como um tambor de guerra num compasso perfeito. Sua presença parecia criar uma atmosfera pacífica em meio àquele dilúvio de destruição.
Ele parecia divisar alguma coisa muito especial naquilo que olhava porque de tempos em tempos seu sorriso aumentava. E à medida que o tempo foi passando, ele começou a reluzir. A princípio como um bronze polido. Depois era como se sua pele fosse toda de prata. Ele tinha um porte que inspirava nobreza, apesar das roupas em farrapos. Em pé ele estava e em pé permanecia. E sorrindo.
A um dado momento, vi sua pele como feita de ouro. E a luz que por tanto tempo contemplou parecia irradiar dele mesmo, apesar de eu saber que era reflexo. Mas tornou-se um reflexo tão nítido, ao ponto de ele e a luz parecerem ser feitos da mesma substância. Ele disse alguma coisa para a luz, algo que não consegui ouvir direito, apenas um 's' ao final.
Quando falou e refletiu assim, não pude mais vê-lo. E não sei o que lhe aconteceu. O perdi de vista em contraste com a luz.
Curioso e intrigado, fui até aonde ele estava. Entrei na poça. Meus pés descalços sentiram o viscor da lama e a princípio, não entendi o que era aquilo, até ver ao fundo estas palavras escritas à mão e em letras garrafais: HUMILHAÇÃO PRÓPRIA.
No reflexo da lama, eu vi aquela mesma luz que estava agora acima de mim, a cento e oitenta graus completos. Ainda mirando a lama, pude divisar algo como um rosto em meio aquela luz e foi quando abruptamente resolvi olhar diretamente para ela. Levantei minha cabeça até a nuca tocar as costas.
Havia mesmo um rosto em meio a luz, e não era aquele homem, era Outro. Era o rosto mais lindo que já havia visto. No cristalino dos Seus olhos, eu vi galáxias, estrelas muito maiores que o sol, nebulosas de todas as cores e um lugar incrível que parecia meu lar. Não um lar em que já houvesse vivido, mas um que finalmente parecia ter sido feito para mim, e eu todo feito para ele.
Não pude deixar de olhar aquele Rosto. Não queria parar de olhá-Lo. Quanto mais olhava, mais feliz ficava. Senti meus músculos aumentarem e relaxarem ao mesmo tempo. Senti meus pés como pneus gigantes, mas não tive a mínima vontade de movê-los de lugar. Eu só queria continuar olhando àquele Rosto.
Ele sorria para mim! Seu semblante era a paz. Não que tivesse paz nele. Seu rosto era a própria paz de que tanto falamos.
Não sei por quanto tempo fiquei admirando àquela face. Talvez horas, talvez semanas, talvez anos, talvez eras. Esqueci-me do que era o tempo. Mas notei uma silhueta que agora me observava dos escombros. Não quis saber quem era e me esqueci do mundo ao redor. Mantive meus olhos fixos nEle todo tempo. Não havia dor, não havia cansaço, não havia nada. Só eu e Ele.
Desejei ser absorvido por Sua luz, e pudia senti-la pulsando em mim mesmo. Contemplei tanto sua face, que agora parecia que ela estava fixa na minha retina, como quando olhamos para o sol, e seu brilho fica marcado por alguns instantes na visão.
Até que lembrei-me de Seu Nome, e pronunciei como se cantasse para Ele. Queria agradá-lo com todo meu ser. Queria dar-lhe meus músculos, nervos, cérebro, rins e o coração.
E então disse com todo amor que acumulei por Ele ao longo da vida. Meus lábios pronunciaram O Nome que é sobre todo o nome. Sorrindo com os lábios e os olhos, eu disse: "Jesus"! E desapareci.
[JOC; Crônicas Jockeanas]
Vi um homem de costas, em pé e com ambos os pés sobre uma poça de lama. Uma luz muito forte irradiava no zênite. Ao seu redor, o mundo se desfazia gradativamente, como a água dissolve a lama presa na bota ou encrustada nos pneus de um carro. Ele contudo, não se movia. Nem ao menos piscava. Carros, prédios, parques, montanhas, ruas e casas, tudo estava a se dissolver.
Esse homem tinha os olhos fixos no alto, pupilas totalmente dilatadas e toda sua constituição física parecia voltada para a luz, como se se alimentasse dela de alguma forma. Ele ignorava todo o mundo destruído à sua volta.
Com o tempo, blocos gigantescos despencando de arranha-céus faziam grandes estrondos ao quebrarem-se no chão. Estilhaços eram arremessados para todas as direções. Havia muito pó, fumaça e destruição para todos os lados que se olhasse. Era sufocante. Mas ele estava lá, em pé, firme a tal ponto, que a princípio pensei que fosse uma estátua. Mas olhando bem, notei vida, muita vida pulsando de sua própria pele. Ar quente fluía dos seus pulmões. Podia-se ouvir seu coração de longe, e ele batia forte, como um tambor de guerra num compasso perfeito. Sua presença parecia criar uma atmosfera pacífica em meio àquele dilúvio de destruição.
Ele parecia divisar alguma coisa muito especial naquilo que olhava porque de tempos em tempos seu sorriso aumentava. E à medida que o tempo foi passando, ele começou a reluzir. A princípio como um bronze polido. Depois era como se sua pele fosse toda de prata. Ele tinha um porte que inspirava nobreza, apesar das roupas em farrapos. Em pé ele estava e em pé permanecia. E sorrindo.
A um dado momento, vi sua pele como feita de ouro. E a luz que por tanto tempo contemplou parecia irradiar dele mesmo, apesar de eu saber que era reflexo. Mas tornou-se um reflexo tão nítido, ao ponto de ele e a luz parecerem ser feitos da mesma substância. Ele disse alguma coisa para a luz, algo que não consegui ouvir direito, apenas um 's' ao final.
Quando falou e refletiu assim, não pude mais vê-lo. E não sei o que lhe aconteceu. O perdi de vista em contraste com a luz.
Curioso e intrigado, fui até aonde ele estava. Entrei na poça. Meus pés descalços sentiram o viscor da lama e a princípio, não entendi o que era aquilo, até ver ao fundo estas palavras escritas à mão e em letras garrafais: HUMILHAÇÃO PRÓPRIA.
No reflexo da lama, eu vi aquela mesma luz que estava agora acima de mim, a cento e oitenta graus completos. Ainda mirando a lama, pude divisar algo como um rosto em meio aquela luz e foi quando abruptamente resolvi olhar diretamente para ela. Levantei minha cabeça até a nuca tocar as costas.
Havia mesmo um rosto em meio a luz, e não era aquele homem, era Outro. Era o rosto mais lindo que já havia visto. No cristalino dos Seus olhos, eu vi galáxias, estrelas muito maiores que o sol, nebulosas de todas as cores e um lugar incrível que parecia meu lar. Não um lar em que já houvesse vivido, mas um que finalmente parecia ter sido feito para mim, e eu todo feito para ele.
Não pude deixar de olhar aquele Rosto. Não queria parar de olhá-Lo. Quanto mais olhava, mais feliz ficava. Senti meus músculos aumentarem e relaxarem ao mesmo tempo. Senti meus pés como pneus gigantes, mas não tive a mínima vontade de movê-los de lugar. Eu só queria continuar olhando àquele Rosto.
Ele sorria para mim! Seu semblante era a paz. Não que tivesse paz nele. Seu rosto era a própria paz de que tanto falamos.
Não sei por quanto tempo fiquei admirando àquela face. Talvez horas, talvez semanas, talvez anos, talvez eras. Esqueci-me do que era o tempo. Mas notei uma silhueta que agora me observava dos escombros. Não quis saber quem era e me esqueci do mundo ao redor. Mantive meus olhos fixos nEle todo tempo. Não havia dor, não havia cansaço, não havia nada. Só eu e Ele.
Desejei ser absorvido por Sua luz, e pudia senti-la pulsando em mim mesmo. Contemplei tanto sua face, que agora parecia que ela estava fixa na minha retina, como quando olhamos para o sol, e seu brilho fica marcado por alguns instantes na visão.
Até que lembrei-me de Seu Nome, e pronunciei como se cantasse para Ele. Queria agradá-lo com todo meu ser. Queria dar-lhe meus músculos, nervos, cérebro, rins e o coração.
E então disse com todo amor que acumulei por Ele ao longo da vida. Meus lábios pronunciaram O Nome que é sobre todo o nome. Sorrindo com os lábios e os olhos, eu disse: "Jesus"! E desapareci.
[JOC; Crônicas Jockeanas]
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Milagres e bochechas molhadas
De repente, Maria entrou na sala e deixou a porta bater atrás de si. Por um segundo, tremi de susto na cadeira. Olhei pro seu rosto, e notei o semblante triste de olhos marejados. Ela fazia força para não chorar, enquanto suas bochechas já molhadas, denunciavam que alguma dor vazava daquele coração aflito.
Eu não disse nada. Ela veio com calma, assentou-se do meu lado e enfiou a cara na mesa. Depois de alguns segundos, que mais pareciam anos, um silêncio sepulcral gritava na sala. Doía meus ouvidos. Eu podia me ouvir por dentro. Continuei segurando O Livro que lia. Meus ossos trincavam, o coração pulsava e o ouvido zumbia. Nada. Nenhum mosquito se atreveu a quebrar o silêncio.
Ela então virou o rosto, e entre os fios de cabelo grudados na bochecha pôs os olhos em mim. Eu só olhava com empatia. Com voz mansinha, ouvi a pergunta:
- Você acredita em milagres?
E eu que não fazia a menor ideia do que dizer, falei sem pensar:
- Você está olhando para um.
Ela sorriu.
Eu não disse nada. Ela veio com calma, assentou-se do meu lado e enfiou a cara na mesa. Depois de alguns segundos, que mais pareciam anos, um silêncio sepulcral gritava na sala. Doía meus ouvidos. Eu podia me ouvir por dentro. Continuei segurando O Livro que lia. Meus ossos trincavam, o coração pulsava e o ouvido zumbia. Nada. Nenhum mosquito se atreveu a quebrar o silêncio.
Ela então virou o rosto, e entre os fios de cabelo grudados na bochecha pôs os olhos em mim. Eu só olhava com empatia. Com voz mansinha, ouvi a pergunta:
- Você acredita em milagres?
E eu que não fazia a menor ideia do que dizer, falei sem pensar:
- Você está olhando para um.
Ela sorriu.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O amor de Jesus por mim, é como cuscuz...
O amor de Jesus por mim, é como cuscuz fofinho recheado de legumes no café da manhã. É como andar de bicicleta a favor do vento no pôr-do-sol de sexta-feira na Pajuçara. É como o colo de minha mãe aos sete anos, quando eu ainda cabia lá. O amor de Jesus por mim, é como ir pra praia com minha tia Baixinha e Adônis, o cachorro dela. É como granola de cacau com leite de soja. É como lamber a massa do bolo crua na panela. É como seu primeiro beijo numa virada do ano, com toda aquela expectativa e o nervosismo de nunca ter feito isso antes. O amor de Jesus por mim, é como uma folha de papel A3 em branco e um lápis novo quando você tá inspirado pra desenhar. É como a garrafinha de suco da alfabetização com o cheiro de todos os outros sucos mas o gosto de um suco só. É como aquele sono gostoso depois do almoço de domingo. O amor de Jesus por mim, é como correr descalço na chuva, numa rua de barro em Sonho Verde. O amor de Jesus por mim, é como um copo de farinha láctea, cheio até o topo, e todo meu. É como conversar até amanhecer com sua melhor amiga no aniversário dela. É como ver seu nome na lista de aprovados do vestibular depois de ter perdido o primeiro. O amor de Jesus por mim, é como sol com chuva num sábado pela manhã às nove horas, como tudo brilha bonito. É como soltar bombinha em Gravatá nas férias de São João com todas aquelas fogueiras na rua. É como comer tortilete no natal com as luzinhas da árvore piscando. É como o cheiro do seu irmão caçula quando ele é bebezinho.
O amor de Jesus por mim é...
É que ainda tô descobrindo pra te dizer como ele é. :)
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