quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Milagres e bochechas molhadas

De repente, Maria entrou na sala e deixou a porta bater atrás de si. Por um segundo, tremi de susto na cadeira. Olhei pro seu rosto, e notei o semblante triste de olhos marejados. Ela fazia força para não chorar, enquanto suas bochechas já molhadas, denunciavam que alguma dor vazava daquele coração aflito.

Eu não disse nada. Ela veio com calma, assentou-se do meu lado e enfiou a cara na mesa. Depois de alguns segundos, que mais pareciam anos, um silêncio sepulcral gritava na sala. Doía meus ouvidos. Eu podia me ouvir por dentro. Continuei segurando O Livro que lia. Meus ossos trincavam, o coração pulsava e o ouvido zumbia. Nada. Nenhum mosquito se atreveu a quebrar o silêncio.

Ela então virou o rosto, e entre os fios de cabelo grudados na bochecha pôs os olhos em mim. Eu só olhava com empatia. Com voz mansinha, ouvi a pergunta:

- Você acredita em milagres?

E eu que não fazia a menor ideia do que dizer, falei sem pensar:

- Você está olhando para um.

Ela sorriu.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O amor de Jesus por mim, é como cuscuz...


O amor de Jesus por mim, é como cuscuz fofinho recheado de legumes no café da manhã. É como andar de bicicleta a favor do vento no pôr-do-sol de sexta-feira na Pajuçara. É como o colo de minha mãe aos sete anos, quando eu ainda cabia lá. O amor de Jesus por mim, é como ir pra praia com minha tia Baixinha e Adônis, o cachorro dela. É como granola de cacau com leite de soja. É como lamber a massa do bolo crua na panela. É como seu primeiro beijo numa virada do ano, com toda aquela expectativa e o nervosismo de nunca ter feito isso antes. O amor de Jesus por mim, é como uma folha de papel A3 em branco e um lápis novo quando você tá inspirado pra desenhar. É como a garrafinha de suco da alfabetização com o cheiro de todos os outros sucos mas o gosto de um suco só. É como aquele sono gostoso depois do almoço de domingo. O amor de Jesus por mim, é como correr descalço na chuva, numa rua de barro em Sonho Verde. O amor de Jesus por mim, é como um copo de farinha láctea, cheio até o topo, e todo meu. É como conversar até amanhecer com sua melhor amiga no aniversário dela. É como ver seu nome na lista de aprovados do vestibular depois de ter perdido o primeiro. O amor de Jesus por mim, é como sol com chuva num sábado pela manhã às nove horas, como tudo brilha bonito. É como soltar bombinha em Gravatá nas férias de São João com todas aquelas fogueiras na rua. É como comer tortilete no natal com as luzinhas da árvore piscando. É como o cheiro do seu irmão caçula quando ele é bebezinho.

O amor de Jesus por mim é...
É que ainda tô descobrindo pra te dizer como ele é. :)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Entende José?

José pensou que precisava de mais dinheiro para comprar aquilo que ele tanto queria, mas depois que gastou o resto das economias, se sentiu ainda mais pobre e percebeu que o que ele precisa não se compra.

José pensou que precisava ficar com aquela garota linda que todo cara queria, mas depois que eles ficaram, se sentiu ainda mais sozinho e percebeu que o que ele precisa não se seduz.

José pensou que precisava ter mais tempo livre para desfrutar dos seus prazeres pessoais, mas depois de assistir todos os episódios do seriado favorito, se sentiu ainda mais entediado e percebeu que o que ele precisa não se assiste.

José pensou que precisava entrar na academia para ficar malhado e impressionar as pessoas, mas depois de aumentar os bíceps, se sentiu ainda mais fútil e percebeu que o que ele precisa não se malha.

Coitado do José. José não sabia que não se preenche o infinito com moedas. Não se preenche o infinito com seios e pernas. Não se preenche o infinito com filmes. Não se preenche o infinito com músculos. 

Então, José pensou que talvez precisasse de Deus para preencher esse buraco infinito que o consumia. Arrependido, frustrado e cansado, José dobrou os joelhos. E José orou. E foi ali, sem dinheiro, sem mulher, sem tempo e sem músculos, que José entendeu: Que só Deus tem o tamanho exato do vazio que há no homem: infinito. 



Foi assim que José entendeu a diferença entre querer e precisar, e que nem sempre o que ele quer, é o que ele precisa. Deus queria José, mas não precisava dele. José precisava de Deus, mas não O queria. Agora José sabe que precisava de Deus mesmo quando não O queria. E agora José O quer também.

Entende José?

domingo, 15 de dezembro de 2013

Previna-se, use a aliança de casamento

Hoje, enquanto fazia a doação de plaquetas, escutei os enfermeiros conversando baixo, sobre um paciente que estava para ser chamado a doar também, mas que precisaria repetir os exames.

Os testes iniciais deram positivo para 'HBC'. Ouvindo a sigla, não entendi o que era. Questionei a enfermeira o que era isto, e ela me disse: Hepatite B. O "C", eu não sei de onde vem. Ela depois me contou outro caso, de um rapaz que descobriu estar com AIDS fazendo o teste sorológico. Ele disse a uma amiga que queria "doar sangue", mas ela percebeu que ele só queria o teste.

Na verdade, há um certo número de pessoas, que vão com frequência fazer a doação, não no intuito de ajudar alguém, mas pela apreensão de saber se contraiu alguma doença devido as últimas relações que teve. Que estranho, não é?

As pessoas se conhecem numa noite, bebem até quase perder a consciência, então saem juntas, e como dizem, "transam". Acho que essa palavra deve ter alguma relação com entrar em transe, perder a ciência do que está fazendo, deixar a consciência fora do motel.

Pra mim, foi Deus quem criou o método preventivo mais avançado dos últimos dez mil anos: o casamento. Eu disse casamento, não viver junto. O casamento em si, traz implícito o princípio da fidelidade conjugal.


Se você ainda não sabe, vou te dizer uma coisa chocante. E se você tem vida sexual ativa sem ser casado, pode te deixar preocupado. Acontece que a camisinha não previne completamente o contágio de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a OMS, a camisinha pode prevenir a uma taxa de até 90%, mas eu lhe pergunto: Você vai confiar nos outros 10?

A enfermeira me explicou que o rapaz, agora aidético, chorava compulsivamente quando foi convocado pra ser noticiado da doença. Não consigo imaginar a angústia dele. Disse-me que ele era novo, cerca de 25 anos. Então passamos a conversar sobre as consequências que ele teria que lidar pelo resto da vida. Como ele contraiu? Teve relação sem camisinha. Estava em "transe". Talvez uma noite só, e agora, consequências por toda a vida.

Tenho certeza de uma coisa: Esse rapaz faria qualquer coisa pra voltar àquela noite, não beberia aquela cerveja, não estaria naquele lugar, não teria saído de casa. Não valeu a pena.

Não vale a pena. Então previna-se, use a aliança de casamento.

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Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. [Gênesis 2:24]

sábado, 30 de novembro de 2013

Salve sua Alma!

Eu não fui para religião para me fazer feliz. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do porto faria isso. Se você quer uma religião para fazer você se sentir realmente confortável, certamente eu não recomendo o Cristianismo. [C. S. Lewis]

Você pode perceber que o evangelho em si não é diretamente um chamado para te fazer feliz, e sim para te salvar, na maneira como Jesus e seus discípulos chamavam as pessoas a tomar parte nele. Eles não diziam: "venham para ser felizes", antes Jesus pregava: "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam no evangelho! " [Marcos 1:15]. Em outras palavras: "Mudem! Salvem suas almas!".



É evidente que a salvação traz como consequência direta a verdadeira felicidade, que os cristãos por milhares de anos tem experienciado e anunciado ao mundo. Mas perceba que felicidade, não é contudo, o cerne do evangelho, é antes sua consequência natural. Podem soar tão semelhantes que você não perceba a diferença, que como pretendo abordar adiante, é crucial e tem consequências graves.

Atente, se o objetivo primordial do evangelho por aceitá-lo, é antes de tudo te fazer feliz, logo, a sua antítese em não aceitá-lo seria no máximo viver uma vida de infelicidade. Assim, os discípulos pregariam: "Creia em Deus, senão você terá uma existência infeliz", ou Jonas deveria ter pregado "dentro de quarenta dias e Nínive será encoberta de infelicidade". Não! Antes o teor do evangelho por eles pregado era coadunante: "Arrependa-se! Salve sua alma!".

Se Paulo pregasse felicidade antes da salvação, o carcereiro teria dito: "Senhores o que devo fazer para ser feliz?", mas com coração contrito indagou: "Senhores, que devo fazer para ser salvo? " (Atos 16:30). O coitado do jovem rico, que de tão pobre só tinha dinheiro, teria questionado a Jesus: "Mestre, que bem farei para ser feliz?", mas não sendo este o caso, perguntou ao Salvador: "Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna? " (Mateus 19:16). Nestes, e em diversos outros casos, após ouvirem a mensagem, os corações dos ouvintes eram levados a pensarem em como poderiam ser salvos primeiro. Quanto a ser feliz, bom, parece-me que isto nem passava pela cabeça deles na primeira instância.

A partir de agora, gostaria de tratar das consequências de se enxergar o evangelho como sendo um apelo direto à felicidade, como sendo esse seu principal objetivo ao convidar os homens a aceitá-lo. Infelizmente, é estrita a visão de felicidade que as pessoas buscam na religião. Elas não buscam salvarem suas almas, mas esperam que a salvação seja uma consequência de o evangelho as fazer feliz. Em outras palavras, "Deus é meu garçom. Me apresente na sua religião, qual o menu de felicidade que Deus pode me ofertar, e eu avaliarei se é atrativo o suficiente para que eu abandone meus prazeres atuais e O siga". Ou seja, elas esperam que a felicidade ofertada por Deus, supere os prazeres pessoais que desfrutam agora, como uma espécie de grande compensação.

Aí está o perigo de tratar o evangelho como tendo o primordial objetivo de dar felicidade as pessoas, e não de salvá-las primeiro. Nessa visão, raríssimas pessoas, exceto as masoquistas, desejariam a salvação, se pelo resto de sua existência na terra elas fossem infelizes, mesmo sabendo que herdariam a felicidade imperecível, no paraíso (2 Coríntios 4:17), mas não agora. Para elas, a salvação, pela falta de felicidade imediata, não seria uma troca justa, visto que nos traz um período de infelicidade. Logo, prefeririam ficar com seus prazeres temporais (Hebreus 11:24,25).

Sobre os heróis da fé que alcançaram a salvação, a Bíblia diz:

Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria.
Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar.
Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou-lhes uma cidade.

Hebreus 11:13-16

O evangelho puro, o que foi pregado pelo Carpinteiro de Nazaré, sempre chocou as pessoas. Isso porque sua mensagem nos vem na direção oposta a nossa concepção natural de felicidade. Ele anunciava primeiro: "Salve sua alma, ó pecador!", "Ponha sua vida em conformidade com a vontade de Deus", "Se adeque ao evangelho", e não o contrário. E é por Deus ser pregado como o garçom do universo, que hoje as pessoas tentam convencer seus semelhantes a aceitarem o evangelho, e virem para sua religião, mostrando os atrativos de felicidade que tal religião oferece, mas deixam passar a essência: "Salve-se, e o que vier depois é lucro!" (Filipenses 1:21). O que quero dizer, é que nesse caso, a felicidade é lucro. Sempre foi o que Deus quis, mas é a consequência natural de sermos salvos, e não precede a salvação.

Por vivemos numa época onde a igreja (leia-se: nós) procura promover e pregar atrativos que talvez convençam as pessoas que vale a pena mudar de vida, é que as pessoas estão na igreja com o objetivo primeiro de serem felizes, sem saber o que felicidade significa, e esperam que a conversão venha como consequência de a religião as fazer feliz, não o contrário. Assim, "métodos carnais atraem pessoas carnais, e temos então uma igreja carnal".

Lembre-se: objetivo do evangelho é salvar tua alma, e sua consequência imediata é uma verdadeira felicidade.

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