quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Teoria da Glória Oculta

Teorizo que Cristo oculte sua glória magnificente até uma medida exata a fim de preservar meu livre arbítrio. Digo isso porque acredito que se Ele se revelasse tal como é, não me sobraria outra opção a não ser amá-lo incondicionalmente com cada partícula do que componha minha integridade. Eu holisticamente o amaria. Não haveria célula nem átomo em mim que resistisse a atração de sua glória. Quase que instantaneamente eu irresistivelmente me converteria. E nisso eu também vejo amor: ocultar-se de quem realmente é, para dar-me poder e a possibilidade de negá-Lo se irracionalmente e sem fundamentos eu assim decida.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Estou indo para Nashville

A garagem ficou vazia. O vento fazia uivos pelas frestas das janelas que ficaram escancaradas, enquanto a porta da cozinha, entreaberta, rangia de dores pelo óleo ressecado. Havia tocos de carvão espalhados pelo chão, e na geladeira, preso por um imã em formato de barquinho, um pedaço de uma folha de caderno velha e amarrotada da época da faculdade, escrito com pressa e em letra de forma:

- "Estou indo para Nashville e não sei se voltarei. Se voltar, já não serei mais eu. Se não voltar, eu já não mais serei."

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A decisão é sua agora, amanhã não será mais

Chegará uma hora em que você precisará definitivamente tomar uma decisão, não haverá meio termo. Mas o que a maioria das pessoas ignora, é que essa decisão já foi tomada - apenas não pronunciada ainda. Você está decidindo a cada momento (talvez inconscientemente) através das pequenas atitudes e negligências que adota todos os dias. O longo somatório dessas pequenas resoluções ao longo da vida é que decidirá o seu destino final, e então, quando a hora da grande decisão chegar (aquela que você pateticamente imagina poder fazer num futuro desconhecido), será na verdade exposta a escolha de toda uma vida e então tarde demais para mudá-la. Pense bem: a decisão é sua agora, amanhã não será mais.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Pesca Abissal

Está escrito nO Livro que a maneira pela qual Deus trata nossos pecados após perdoá-los é lançá-los nas profundezas do mar (Mq. 7:19). Veja que interessante comparação! Mesmo os astrofísicos reconhecem que com todo conhecimento adquirido até hoje, sabemos mais sobre os corpos celestes do nosso sistema solar do que o que possivelmente habita o fundo dos mares do nosso próprio planeta. Em outras palavras, sabemos mais sobre Plutão, o renegado, do que Deus sabe sobre os pecados que Ele próprio apagou.


Há dois mil anos Cristo chamou doze pecadores pescadores de pecados para serem "pescadores de homens". O diabo, no entanto, insiste em ensinar uma modalidade totalmente diferente: a pesca abissal. Repetidamente insinua uma necessidade extenuante de resgatar à superfície pecados afogados pelo amor de Deus e esquecidos nas fossas abissais do perdão. O tipo de pesca mais sem sentido, danosa e infrutífera que uma mente perversa poderia inventar.

Eu só queria fazer-te um pedido ao meio dia de uma sexta-feira de setembro: Jogue a vara fora. Não haverá linha suficiente nesse carretel. Perdoe-se. Se Deus o fez, quem você se julga ser de tão superior para não seguir-Lhe o exemplo?

Agora vá. Deite-se na praia, pegue um bronze e beba água de coco. Depois levante-se e pesque pessoas. Pesque pecadores, esqueça seus pecados. Alguns estão se afogando logo ali.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Comer o Caráter de Deus

Queria compartilhar uma das lições mais úteis e de resultados mais concretos que aprendi no meu relacionamento com Deus esses anos. Considero como revolucionária, apesar de simples e bem conhecida, mas não devidamente compreendida nem aplicada. É revolucionária, não porque o diga, mas o digo por ser revolucionária. Bem...

É bastante comum, ouvirmos em orações ou até sermões, mesmo de amigos muito próximos, o pedido ou a ênfase na importância de se "sentir a presença de Deus". E eu queria dizer-lhe o quanto esse pedido, ou o quanto basear seu relacionamento com Deus nesse quesito, é perigoso e danoso. Se você for cristão, pode lhe parecer herético ensinar a alguém a não confiar no senso da presença de Deus, mas tenha calma, vou explicar.

Acontece que converso com amigos que estão cansados e ansiosos, ou se sentem frustrados na vida cristã, porque lhes parece que Deus não ouve suas orações, ou se vêem distantes dEle. A alegação mais comum é esta: "Não consigo sentir a presença de Deus". E por não sentir, a ideia de um Deus distante, magoado, ou frio parece-lhe a mais óbvia e certa. Mas isso é um erro. Satanás torce por isso, e ensina-o com maestria às pessoas, e porque não dizer, com deleite também.



Não me recordo, em todas as escrituras, de uma só passagem em que nos seja aconselhado a sentir coisa alguma sobre nossa relação com Deus (se você conhecer uma, por favor, me mostre). Há pelo contrário, uma quantidade infinda de conselhos sobre o perigo de confiar nos próprios sentimentos. Jeremias nos deu a clássica advertência: "Enganoso é o coração". "Enganoso", ele disse. Trapaceiro, mentiroso, salafrário, é o coração. Para você, o seu principalmente.

Pense em João Batista minutos antes de ser decapitado, os discípulos quando foram perseguidos e mortos à fogueira, ou Jesus antes de ser crucificado. Não os vejo animados ou alegres por "sentirem a presença de Deus". Muito pelo contrário, os vejo cansados, emocionalmente feridos e muitas vezes tristes. Na Cruz, Jesus bradou que não sentia mais a presença de Deus. Ele se sentiu abandonado. Mas sentimentos não abalaram em absolutamente nada sua confiança no Pai. E nessa confiança eles foram até o fim, até a morte por Ele. Sua relação com Deus baseava-se portanto, em algo superior, algo elevado, algo substancialmente mais confiável do que os sentimentos traiçoeiros da natureza humana, a qual damos tanto ouvidos e tanto nos frustramos.

E agora, eu queria que você tivesse uma noção melhor do quanto esse princípio é importante, e pode revolucionar seu relacionamento com Deus. O que no fundo estou tentando dizer, é que você deve basear sua percepção de Deus, no conhecimento do caráter de Deus, e não nos próprios sentimentos. Na verdade, se você baseia sua relação com Deus no que sente, então você se relaciona apenas consigo mesmo, e tem de lidar sozinho com seus medos, frustrações e percepções errôneas da vida. Outra coisa grave que preciso dizer, é que isso é idolatria. Sim. Você se torna ídolo de si mesmo, porque os sentimentos são seus, e o deus imaginário a quem você serve e confia, é uma miragem abstrata, imagem forjada como reflexo de algum espelho fosco de si próprio. No fundo, você pensa que confia em Deus, mas está enganado. Confia apenas nos seus sentimentos a respeito de Deus, não nEle. "Seus sentimentos". Você, confiando no que sente. Não é muito diferente do fariseu que "posto em pé, orava de si para si mesmo" (Lucas 18:11).

Muitas vezes, Deus me fez não apenas não sentir Sua presença, como permitiu-me sentir sozinho e aparentemente abandonado. Tive que aprender a descansar na confiança de quem Deus é por Ele mesmo, independente do que eu pense ou sinta sobre Ele. Sei que é maravilhoso sentir a presença de Deus, quisera que todos os meus conhecidos desfrutassem dEle. De bom grado, muitos deixariam seus vícios por momentos de oração. Mas quero aqui, enfatizar o perigo e os danos de fazer da sua própria percepção, um parâmetro no seu relacionamento com Deus. Ele não nos ensinou isso em lugar algum. 

No entanto, se você basear seu relacionamento com Deus no caráter que Deus tem, por Ele mesmo, independente de você, desfrutará de uma paz maravilhosa. Afinal, por mais complexas e diferentes que se tornem as circunstâncias, Ele não muda, porque o caráter de Deus é assim, imutável. É sempre o mesmo, e sua confiança portanto, não pode ser abalada com facilidade. Isso traz descanso.
Perceba o quanto as pessoas que baseiam sua relação com Deus no sentir a presença dEle sofrem. "Hoje estou triste", "hoje estou frustrado", "hoje estou cansado", "hoje estou com medo". É óbvio que você sentirá dificuldades em sentir a presença de Deus nesses dias. Mas e daí?! Independente do que você sinta ou deixe de sentir, Deus é Deus. Ele não precisa dos seu sentimentos ou percepções para existir. E continuará sendo mesmo jeito que sempre foi a eternidade inteira, quer você sinta, quer deixe de sentir alguma coisa.

A confiança no caráter de Deus muda o jogo. Muda sua disposição para enfrentar a adversidade. Muda você, muda tudo! Na verdade, confiança é depender de outro, e como é emocionalmente cansativo depender de alguém tão volúvel como si mesmo. Se quiser confiar em sentimentos, confie nos sentimentos de Deus, e não nos seus.

Descanso é saber que "estou desse jeito agora, mas Deus continua como sempre foi, mesmo antes dessa tal situação acontecer". "Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vocês [...] não são consumidos". (Malaquias 3:6). "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente". (Hebreus 13:8). "No sossego e na confiança está a sua força" (Isaías 30:15).

Agora que expliquei o recheio da coisa toda, queria te falar sobre porque não confiamos no caráter de Deus, e preferimos confiar nos próprios sentimentos, endeusando a nós mesmos.

A afirmação que faço é categórica, repetitiva e real: Nós desprezamos a Bíblia. Não confiamos em Deus, porque não O conhecemos, e não O conhecemos porque fazemos pouco caso do que Ele disse de si mesmo. O único lugar no mundo onde se pode conhecer o caráter de Deus como Ele a si próprio se revela é em sua Palavra, mas fazemos dela enfeite para exibir o Salmo 23 na sala de estar. Nem só de pão vive o homem, disse Jesus. E contudo, nossa alma morre de inanição. Na verdade, ler a Bíblia, é como comer o caráter de Deus. É nutrir a mente com as vitaminas da sua personalidade. É fazer parte de Deus, ter simbiose com o Criador.

Como disse um antigo pregador a quem muito estimo: "A Bíblia fala no tom de voz do próprio Deus." C. H. Spurgeon. E que voz maravilhosa Ele tem!

"Que o Senhor nos perdoe o desprezo que temos dado a Sua Palavra." Ellen G. White.
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