quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ser Manso, Ser Macho

Tenho pra mim que dentre os atributos que estão no topo da masculinidade, a mansidão tem preeminência. Soa antagônico, mas ser manso é ser macho. Ora, todo mundo se aproxima sem receios do coelhinho e do cordeiro, mas é a dois ou três passos do pitbull que elas perguntam: "ele é manso?". É esse contraste entre força e domínio que revela poder. Em outras palavras, quando as pessoas fazem essa pergunta: "ele é manso?"; elas querem na verdade saber se o ser que detém aquelas mandíbulas com uma tonelada de potência de compressão maxilar possui autodomínio suficiente para permitir-se uma aproximação amistosa para receber e dar carinho sem amputar-lhes um braço ou uma perna, a despeito de tanto poder que possui. Note que qualquer jumento dá coice, mas só um macho tem peito pra domar seu dragão e torná-lo dócil para curvar-se e dizer "bom dia, senhorita!".

Evitando

Estou evitando novos problemas porque os que já adquiri ao longo da vida estão se mostrando suficientes até hoje. É mesmo uma coisa muito bonita essa de aprender a ficar satisfeito com o que você já tem.

Erupção nas Nuvens

Começou aquela garoa fininha. As mulheres recolhiam suas cangas da areia; algumas davam gritinhos e corriam. Os homens retiravam suas crianças da água e fugiam. Todos saíram da praia quando os respingos começaram a cair. Ignorei-os e permaneci ali sentado; não havia açúcar em minha pele e eu nunca fiz uso de cigarro. Agora, estávamos apenas eu e o gigante cinza-azul do mar. O céu antes anil, enfureceu-se, condensou e enegreceu de raiva contra minha petulância de permanecer ali para contemplá-lo.

Eles não presenciaram o que veio a seguir. O medo irracional do inofensivo lhes privou do privilégio que minhas retinas contemplaram. Pois a um dado momento, o sol furou as nuvens em vários pontos projetando-se no mar, e então, cada gota da chuva que caía abrigou em si uma miniatura do astro em chama; cada pingo transmudou-se em lava incandescente precipitando-se do ar. Espetáculo! Erupção nas nuvens; fogo chovia dos céus e me refrescava. Todo o mar era ouro derretido. Laranja, ouro, fogo! Naquele dia eu fui lavado com fogo. Abri a boca para o céu e bebia lava, e engolia fogo. E todos os covardes que almejavam, sem esforço, pela luz do sol, perderam o privilégio de serem banhados de forma líquida por ele.

Aprenda esta lição, caro leitor: os que fojem ao menor respingo da tempestade perdem o privilégio de se banharem com o sol especial que ela esconde. Ao invés de impedi-lo, são as próprias densas nuvens que se transformam no prisma natural através do qual ele irá se revelar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Eternidade ou Vagem Suína

Diz a Bíblia que Deus "pôs a eternidade no coração do homem" (Eclesiastes 3:11).

Isso explica porque você se sentirá frustrado ou decepcionado todas as vezes em que tentar se preencher com qualquer coisa que não possua um selo de eternidade embutido - o vazio que se experimenta no ápice da satisfação dos seus prazeres mais particulares/secretos, aquele peso esmagador na consciência depois do final de semana de "pura curtição", um senso de amargor estranho no coração mesclado com sentimento de culpa. Ora, é frustrante não obter o que se deseja, especialmente se o desejo natural (que não compete a você decidir e não lhe é possível controlar) é por algo infinto enquanto eu me esforço por satisfazê-lo, como disse Jesus, com "as vagens que os porcos comem".

Já com as vias de relacionamento com Deus, baseadas nas coisas mais simples como a leitura da Bíblia, o louvor e os momentos de oração; há um sentido de plenitude inefável que se sobrepõe ao vazio e à frustração, "pois", como afirmou o sábio Salomão, "sabemos que tudo o que Deus faz durará eternamente" (Eclesiastes 3:14).

Você deveria investir mais do seu tempo no que possui esse selo imperecível.

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Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil. (C. S. Lewis)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O que Deus Não Perdoa

Eu estava fuçando alguns livros na biblioteca. Puxando aqui e acolá alguns exemplares. Ela entrou com passos apressados e veio na minha direção pelo corredor, entre as estantes. Não me disse bom dia ou outro cumprimento formal, mas parou diante de mim. Olhei sua expressão e parecia-me em profunda angústia emocional. Fiz que não havia notado para não constrangê-la, e sem me virar, voltando para os livros, disse um bom dia animado enquanto puxava um livro qualquer. Ela respondeu com uma pergunta apressada e sem rodeios:

- Oswaldo, tem algum pecado que seja muito grande? Do tipo que Deus não perdoa?
Então entendi. O negócio ali dentro era culpa. Não perguntei o que estava acontecendo, mas olhando para aquele rostinho de sobrancelhas caídas e semblante sobrecarregado, disse com um tom sério, mas amável:

- Existe.

Deu pra ver os olhinhos dela enchendo de lágrimas quando o som da resposta entrou pelos ouvidos e bagunçou alguma coisa lá dentro. Percebi que era a única resposta que ela temia ouvir. Demorou uns dois ou três segundos olhando na minha direção, me atravessando como se eu não existisse. Naquele momento, meio milhão de pensamentos corriam como bestas selvagens na cabecinha dela. Daí a pouco, segurando as mãozinhas, ouvi a segunda pergunta inevitável de uma voz trêmula e bem fraca:

- E qual é?

Com calma, devolvi o livro sobre revolução francesa à estante, pus a mão no ombro dela, apertei com uma força bem calculada e me virei completamente na sua direção, para então responder:

- O maior pecado na Bíblia, e o único que Deus não perdoa... é aquele do qual você não se arrepende.

Mas lembre-se, caro leitor: o arrependimento inclui o abandono do pecado. Como está escrito: "Vá, e não peques mais".
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